Os efeitos colaterais do tratamento oncológico têm uma causa comum na maioria dos casos: a inflamação. Controlar a inflamação pela alimentação é o caminho pra reduzir e, em muitos casos, eliminar sintomas como náusea, cansaço e falta de apetite, sem depender só de remédio.
Efeito colateral é um problema tão comum durante o tratamento oncológico que acabou sendo normalizado. Aposto que antes de iniciar o tratamento você ouviu alguém, um profissional de saúde ou outra pessoa em tratamento, falar que poderiam aparecer efeitos colaterais como falta de apetite, náuseas, vômitos ou diarreia. Não foi?
Realmente, esses são efeitos colaterais muito comuns. Mas às vezes a gente acaba confundindo o que é comum com o que é normal.
Comum não é a mesma coisa que normal
Nem tudo o que é comum é normal. É comum, durante a quimioterapia, apresentar náuseas, vontade de vomitar e falta de apetite. É comum, durante a radioterapia, ter dificuldade pra se alimentar, diarreia e perda de peso. É comum sentir cansaço, ficar sem forças e com vontade de ficar só deitado.
Tudo isso, de fato, é comum. Mas nada disso é normal.
Isso acontece porque, com o tumor, o seu metabolismo é alterado, e com o tratamento o seu corpo passa a exigir muito mais energia e muito mais vigor. O seu estado verdadeiramente normal é aquele em que o corpo tolera melhor o tratamento, controla os efeitos colaterais e mantém a energia em equilíbrio.
Não é porque existe uma multidão de pessoas sofrendo com os mesmos sintomas que esse lugar deve ser considerado aceitável. Não é normal passar o tratamento inteiro somando remédio atrás de remédio: um pra náusea, outro pra abrir o apetite, outro pra diarreia. Também não é normal viver cansada, com náuseas, perdendo energia, e ir se convencendo de que esse é o seu "novo normal".
Por que o problema real é a inflamação
Na maioria dos casos, o principal motivo do aparecimento desses efeitos colaterais é a inflamação. Então, a primeira coisa que você precisa entender é que, se quer eliminar esses efeitos, precisa controlar a inflamação do seu corpo. E não é com um medicamento milagroso ou um único alimento que isso acontece: você vai precisar unir várias estratégias, vários hábitos que ajudam o corpo a desinflamar.
É comum até que tratamentos precisem ser paralisados por efeitos colaterais fortes demais. E o que eu mais escuto quando pergunto pras minhas pacientes o que elas têm feito pra reduzir um sintoma é: nada. Sentar e esperar que a falta de apetite vá embora sozinha não funciona. Você pode contribuir pro seu tratamento ser mais eficiente, pode controlar os efeitos causados pela quimioterapia ou pela radioterapia. Mas precisa agir.
O padrão alimentar anti-inflamatório
Existe como trabalhar com um cardápio feito pra que o seu corpo não sofra tanto com esse processo. É preciso ajustar a alimentação pra um padrão anti-inflamatório, com o acréscimo de suplementos imunomoduladores quando indicado.
Alimentos ricos em açúcar, sódio, aditivos, conservantes, gordura saturada, embutidos como salsicha, linguiça, presunto e bacon, além de gorduras trans presentes em biscoitos e alimentos prontos congelados, estão associados a mais chances de progressão e de acelerar o desenvolvimento do câncer.
Toda vez que você escolhe um alimento, está jogando com as suas chances: de acelerar a evolução da doença ou de retardar o crescimento dela. E a qualidade da alimentação interfere diretamente na intensidade dos efeitos tóxicos da quimioterapia, da radioterapia ou de qualquer tratamento oncológico.
O que fazer a partir de agora
- Observe o que você tem comido e se pergunte: esse alimento inflama ou desinflama o meu corpo?
- Priorize hábitos simples e sustentáveis, não mudanças radicais de um dia pro outro.
- Lembre que alimentação é remédio: uma estratégia natural, sem efeito colateral, que se combina com o tratamento convencional.
Não tem segredo, e não tem como mudar os resultados sem mudar as ações que levam a eles. Mudar dá trabalho, mas passar o tratamento inteiro se sentindo mal dá muito mais trabalho ainda.
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